Sugestão de hoje!!!

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Livro que trata do menor abandonado e de sua luta pela sobrevivência.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O Sermão de Santo Antônio aos Peixes (em construção)


           O Sermão de Santo Antônio aos Peixes foi proferido na cidade de SãoLuís do Maranhão em 13 de junho de 1654, três dias antes de embarcar escondido para Portugal (para obter uma legislação justa para os índios) no auge da luta dos jesuítas contra a escravidão indígena pelos colonizadores, procurando o remédio da salvação dos índios. O sermão revela toda a ironia, riqueza nas sugestões alegóricas (expressão de uma idéia através de uma imagem, um quadro, um ser vivo etc.) e agudo senso de observação sobre os vícios e vaidades do homem, comparando-o, por meio de alegorias, aos peixes. Critica a prepotência dos grandes, que, como peixes, vivem de sacrifício de muitos pequenos, os quais “engolem” e “devoram”. O alvo são os colonos do Maranhão, que no Brasil são grandes, mas em Portugal “acham outros maiores que os comam, também a eles”. Censura os soberbos (=roncadores); os pregadores (=parasitas); os ambiciosos (=voadores); os hipócritas e traidores (=polvos).

Capítulo I
          
  Para atingir a inteligência dos ouvintes, o orador usa argumentos lógicos, sucessivas interrogações retóricas (perguntas bem ditas, bem pronunciadas e produzidas) e a autoridade dos exemplos de Cristo, Santo António e da Bíblia. Para atingir o coração dos ouvintes, usa interjeições e exclamações.
          
  Ao relatar o que fez Santo António quando foi perseguido em Arimino usa frases curtas (Deixa as praças, vai-se às praias…), ritmo binário, anáforas, enumeração.
          
  É evidente que os tipos de frase têm relação direta com a entoação. A frase interrogativa termina num tom mais alto, a declarativa num tom mais baixo, etc.
           
O título do Sermão foi retirado do milagre ou lenda que se conta a respeito de Santo António. Este terá sido mal recebido numa pregação em Arimino, mesmo perseguido, e ter-se-á dirigido à praia e pregado o sermão aos peixes que o terão escutado atentamente, contrastando com os homens. O pregador invocou Nossa Senhora porque era habitual fazê-lo e ainda porque o nome Maria quer dizer Senhora do mar; os ouvintes do sermão eram pescadores que A invocavam na faina (qualquer trabalho a bordo de um navio) da pesca.

Capítulo II
             
O sermão é uma alegoria porque os peixes são metáforas dos homens, as suas virtudes são por contraste metáforas dos defeitos dos homens e os seus vícios são diretamente metáforas dos vícios dos homens.
           
O pregador fala aos peixes, mas quem escuta são os homens.
           
Os peixes ouvem e não falam. Os homens falam muito e ouvem pouco.
            
O pregador argumenta de forma muito lógica. Partindo de duas propriedades do sal, divide o sermão em duas partes: o sal conserva o são, o pregador louva as virtudes dos peixes; o sal preserva da corrupção, o pregador repreende os vícios dos peixes.
           
Os peixes não foram castigados por Deus no dilúvio, sendo, por isso, exemplo para os homens que pouco ouvem e falam muito, pouco respeito têm pela palavra de Deus.
          
  Evidencia-se que os animais que convivem com os homens foram castigados, estão domados e domesticados, sem liberdade.
            
O discurso é pregado; por isso, envolve toda a pessoa do orador. Os gestos, a mímica, a posição do corpo - a linguagem não verbal - têm um lugar importante porque completam a mensagem transmitida.


A ARTE BARROCA



CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA
        
  O estilo conhecido como Barroco situa-se no período que vai do final do século XVI até meados do século XVIII, tendo, porém, o seu ponto culminante, de maior esplendor, ao longo do século XVII.
        
  Dois elementos históricos estão diretamente ligados ao florescimento desse estilo:

Ø  A CONTRA-REFORMA CATÓLICA, um amplo conjunto de medidas tomadas pela Igreja para fazer frente ao movimento da Reforma Protestante, liderada por Lutero e Calvino, entre outros, e que representou uma profunda ameaça à supremacia católica na Europa e fora dela. Entre aquelas medidas destacam-se a fundação da Companhia de Jesus (ou dos jesuítas), com o propósito de difundir mais amplamente a fé cristã e garantir a autoridade papal, e a restauração da Inquisição ou Santo Ofício, com o objetivo de coibir o avanço do protestantismo através da censura, da perseguição e da tortura.

Ø  A progressiva implantação do Estado nacional e a solidificação do ABSOLUTISMO MONÁRQUICO na Europa, levando à centralização e a um profundo fortalecimento do poder real. O monarca será visto e defendido, então, como o legítimo representante de Deus na Terra, e sua autoridade, como sagrada e absoluta.
         
No Brasil, o Barroco teve um florescimento mais tardio, sobretudo no século XVIII, coincidindo com a fase do Ciclo do Ouro, na região das Minas Gerais.


CARACTERÍSTICAS DA ARTE BARROCA
          
No plano estético, o Barroco também foi consequência da gradual saturação da arte Renascentista, cultivada no século XVI. Os artistas, insatisfeitos com a intensa e rígida imitação da arte clássica, desenvolveram gradualmente novas formas de expressar a sua criatividade. Rejeitaram, assim, o equilíbrio, a harmonia, a simplicidade, a proporcionalidade clássicas, em favor do desequilíbrio, da irregularidade, da complexidade, da sinuosidade (Qualidade ou estado do que é sinuoso; tortuosidade, curva), da extravagância.
     
Em geral, costuma-se associar a arte barroca à ideia de religiosidade, o que é fato. Pode-se afirmar que o Barroco foi o gênero de arte “encomendado” pela Igreja para despertar novamente nos fiéis o sentido da fé cristã e o da legitimidade do catolicismo enquanto expressão da Verdade Religiosa. A vida dos santos e dos mártires da Igreja Católica serão, por isso, alvo constante do interesse dos artistas. Disso decorrem características marcantes da arte Barroca: além da referida religiosidade, do apelo às questões espirituais e morais, há a consciência da brevidade da vida e a ênfase às ideias de pecado e necessidade do arrependimento para a salvação da alma. A exaltação da fé e da vida espiritual leva, frequentemente, à negação da vida terrena e dos prazeres mundanos, a um recorrente pessimismo diante do mundo. O Barroco recorre, assim, à grandiosidade e ao esplendor das imagens celestiais, à dramaticidade e ao heroísmo do caráter espiritual, para incutir no homem o anseio divino.
    
Dentro do universo temático de preferência barroca visto acima, é interessante ressaltar o tema da brevidade da vida (também conhecido como efemeridade, transitoriedade ou fugacidade): o artista e o poeta, conscientes de que tudo passa e se acaba rapidamente, fazem dois tipos de reflexão e sugestão: o primeiro de caráter religioso, já apontado antes, exalta uma vida virtuosa, isenta de pecados, ou marcada pelo arrependimento e voltada para Deus; curiosamente, o segundo, de caráter lírico-filosófico, reconhece que não só a vida, mas também a juventude e a beleza são passageiros, fugazes, e defende, portanto, o que ficou conhecido como “carpe diem”, ou seja, o aproveitar dessa mesma vida, juventude e beleza enquanto é tempo, intensamente.
        
  Ideias e atitudes, em princípio, contraditórias, não? Porém, isso ocorre porque o Barroco é também a arte dos opostos, da contradição, do conflito, da tensão. O homem renascentista habituara-se a uma visão de mundo e a uma postura ANTROPOCÊNTRICAS (onde o homem é o centro do universo), em que a vida humana e terrena eram valorizadas e vivenciadas com prazer, sem culpa. A Igreja, por meio da Contra-Reforma (entende-se sobretudo por meio da Inquisição), busca impor novamente uma mentalidade medieval, de negação do terreno, do carnal, do humano, ou seja, uma visão TEOCÊNTRICA (onde Deus é o centro do universo). Chocam-se as duas mentalidades e, na tentativa de solução, o homem barroco busca aproximá-las, conciliá-las, fundi-las, donde resulta a permanente tensão. Dessa atitude se originam outras marcas barrocas fundamentais: o dualismo e o fusionismo. A primeira – dualismo – refere-se ao gosto da contradição, dos contrastes, à aproximação constante entre elementos opostos: o Céu e a Terra, o Bem e o Mal, o Sagrado e o Profano, a Alma e o Corpo, o Espiritual e o Sensual, o Belo e o Feio, o Claro e o Escuro, entre outros. Muitas vezes, tais elementos aparecem unidos ou fundidos em um só ser ou ideia: é o chamado fusionismo.
         
O ABSOLUTISMO MONÁRQUICO, desse período, incutindo nos seus soberanos a ânsia de exaltação de si mesmos e de seus reinados, também acabou conduzindo o Barroco para muitas de suas características mais difundidas hoje: é a arte pintando ou esculpindo a monarquia através do requinte, da exuberância, da imponência, da opulência, do gosto pela grandiosidade das formas, imagens e construções, do exagero, chegando, muitas vezes, aos limites do mau gosto. Nesse sentido, o Barroco tornou-se, sobretudo, a arte do rebuscamento, do detalhismo, da complexidade, uma arte ornamental e sensorialista, que apela, antes e acima de tudo, para os nossos sentidos físicos, impressionando-os e emudecendo-nos pelo impacto visual.
         
No sentido literário, reconhecem-se duas tendências estilísticas dentro do Barroco: o cultismo, ou o gosto exagerado pelo aspecto formal do texto e sua “sinuosidade labiríntica” no tocante ao jogo de palavras, e o conceptismo, que privilegia não o formal, mas o conteúdo, o pensamento, o jogo de ideias.
         
Na literatura brasileira, dois nomes imortalizaram-se dentro da arte barroca: o do grande poeta Gregório de Matos Guerra e o do padre Antônio Vieira, cujos inúmeros sermões representam o mais legítimo conceptismo barroco.

domingo, 25 de setembro de 2011

Questões sobre o Barroco


01. (UNIV. CAXIAS DO SUL) Escolha a alternativa que completa de forma correta a frase abaixo:
A linguagem ______, o paradoxo, ________ e o registro das impressões sensoriais são recursos lingüísticos presentes na poesia ________. 
a) simples; a antítese; parnasiana.
b) rebuscada; a antítese; barroca.
c) objetiva; a metáfora; simbolista.
d) subjetiva; o verso livre; romântica.
e) detalhada; o subjetivismo; simbolista.
 

02. (MACKENZIE-SP) Assinale a alternativa incorreta: 
a) Na obra de José de Anchieta, encontram-se poesias que seguem a
 tradição medieval e textos para teatro com clara intenção catequista.
b) A literatura informativa do Quinhentismo
 brasileiro
 empenha-se em fazer um levantamento da terra, daí ser predominantemente descritiva.
c) A literatura seiscentista reflete um dualismo:o ser humano dividido entre a matéria e o espírito, o pecado e o perdão.
d) O Barroco apresenta estados de alma expressos através de antíteses, paradoxos, interrogações.
e) O conceptismo caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta, extravagante, enquanto o cultismo é marcado pelo jogo de idéias, seguindo um raciocínio lógico, racionalista.
 

03. Com referência ao Barroco, todas as alternativas são corretas, exceto: 
a) O Barroco estabelece contradições entre espírito e carne, alma e corpo, morte e vida.
b) O homem centra suas preocupações em seu próprio ser, tendo em mira seu aprimoramento, com base na cultura greco-latina.
c) O Barroco apresenta, como característica marcante, o espírito de tensão, conflito entre tendências opostas: de um lado, o teocentrismo medieval e, de outro, o antropocentrismo renascentista.
d) A arte barroca é vinculada à Contra-Reforma.
e) O barroco caracteriza-se pela sintaxe obscura, uso de hipérbole e de metáforas.
 

04. (VUNESP) 
      Ardor em firme coração nascido;
      pranto por belos olhos derramado;
      incêndio em mares de água disfarçado;
      rio de neve em fogo convertido:
      tu, que em um peito abrasas escondido;
      tu, que em um rosto corres desatado;
      quando fogo, em cristais aprisionado;
      quando crista, em chamas derretido.
      Se és fogo, como passas brandamente,
      se és fogo, como queimas com porfia?
      Mas ai, que andou Amor em ti prudente!
      Pois para temperar a tirania,
      como quis que aqui fosse a neve ardente,
      permitiu parecesse a chama fria.
 

O texto pertencente a Gregório de Matos e apresenta todas seguintes características:
 
a) Trocadilhos, predomínio de metonímias e de símiles, a dualidade temática da sensualidade e do refreamento, antíteses claras dispostas em ordem direta.
b) Sintaxe segundo a ordem lógica do Classicismo, a qual o autor buscava imitar, predomínio das metáforas e das antíteses, temática da fugacidade do tempo e da vida.
c) Dualidade temática da sensualidade e do refreamento, construção sintática por simétrica por simetrias sucessivas, predomínio figurativo das metáforas e pares antitéticos que tendem para o paradoxo.
d) Temática naturalista, assimetria total de construção, ordem direta predominando sobre a ordem inversa, imagens que prenunciam o Romantismo.
e) Verificação clássica, temática neoclássica, sintaxe preciosista evidente no uso das síntese, dos anacolutos e das alegorias, construção assimétrica.
 

05. A respeito de Gregório de Matos, assinale a alternativa, incorreta: 
a) Alguns de seus sonetos sacros e líricos transpõem, com brilho, esquemas de Gôngora e de Quevedo.
b) Alma maligna, caráter rancoroso,relaxado por temperamento e costumes, verte fel em todas as suas sátiras.
c) Na poesia sacra, o homem não busca o perdão de Deus; não existe o sentimento de culpa, ignorando-se a busca do perdão divino.
d) As suas farpas dirigiam-se de preferência contra os fidalgos caramurus.
e) A melhor produção literária do autor é constituída de poesias líricas, em que desenvolve temas constantes da estática barroca, como a transitoriedade da vida e das coisas.
 

Texto para as questões 06 a 08 
À INSTABILIDADE DAS COUSAS DO MUNDO
 

        Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
        Depois da Luz se segue a noite escura,
        Em tristes sombras morre a formosura,
        Em continuas tristezas a alegrias,

        Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
        Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
        Como a beleza assim se transfigura?
        Como o gosto, da pena assim se fia?

        Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
        Na formosura não se dê constância,
        E na alegria, sinta-se triste.
        Começa o Mundo enfim pela ignorância
        A firmeza somente na inconstância.

06. No texto predominaram as imagens: 
a) olfativas;
b) gustativas;
c) auditivas;
d) táteis;
e) visuais.

07. A idéia central do texto é: 
a) a duração efêmera de todas as realidades do mundo;
b) a grandeza de Deus e a pequenez humana;
c) os contrastes da vida;
d) a falsidade das aparências;
e) a duração prolongada do sofrimento.

08. Qual é o elemento barroco mais característico da 1ª estrofe? 
a) disposição antitética da frase;
b) cultismo;
c) estrutura bimembre;
d) concepção teocênctrica;
e) estrutura correlativa, disseminativa e recoletiva.
 

09. (SANTA CASA) A preocupação com a brevidade da vida induz o poeta barroco a assumir uma atitude que: 
a) descrê da misericórdia divina e contesta os valores da religião;
b) desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a mocidade e a beleza;
c) se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia dos céticos;
d) se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus;
e) quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mocidade dura.

10. (UEL) Identifique a afirmação que se refere a Gregório de Matos: 
a) No seu esforço da criação a comédia brasileira, realiza um
 trabalho
 de crítica que encontra seguidores no Romantismo e mesmo no restante do século XIX.
b) Sua obra é uma síntese singular entre o passado e o presente: ainda tem os torneios verbais do Quinhentismo português, mas combina-os com a paixão das imagens pré-românticas.
c) Dos poetas arcádicos eminentes, foi sem dúvida o mais liberal, o que mais claramente manifestou as idéias da ilustração francesa.
d) Teve grande capacidade em fixar num lampejo os vícios, os ridículos, os desmandos do poder local, valendo-se para isso do engenho artificioso que caracteriza o estilo da época.

Resolução:
01 - B
02 - E
03 - B
04 - C
05 - D
06 - E
07 - A
08 - A
09 - E
10 - D