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Livro que trata do menor abandonado e de sua luta pela sobrevivência.
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domingo, 25 de setembro de 2011

Questões sobre A Carta de Pero Vaz de Caminha


1. (UFMG) Com base na leitura da Carta, de Pero Vaz de Caminha, é INCORRETO afirmar que esse texto:

(A) se filia ao gênero da literatura de viagem.
(B) aborda seu próprio contexto de produção.
(C) usa registro coloquial em estilo cerimonioso.
(D) se compõe de narração, descrição e dissertação.


2. (POLI) "Duas relíquias históricas produzidas no Brasil, foram trazidas para exibição na Mostra do Redescobrimento, em São Paulo: o manto tupinambá e a carta de Pero Vaz de Caminha." (Folha de São Paulo, 11 de maio de 2000.)

A carta de Pero Vaz de Caminha, sobre o achamento do Brasil, enviada a El-Rei Dom Manuel é a principal manifestação literária do Quinhentismo, movimento literário brasileiro do século XVI. Tendo em vista o seu teor, podemos afirmar que os visitantes da Mostra do Redescobrimento, ao se depararem com tal texto, conseguiriam através dele:

(A) resgatar valores e conceitos sociais brasileiros. 
(B) descobrir a história brasileira pela arte. 
(C) ter mais informações sobre a arte brasileira. 
(D) ver a cultura indígena brasileira. 
(E) perceber o interesse português em explorar a nova terra. 


3. (UFPEL) O texto a seguir servirá de base para a próxima questão.

Pero Vaz de Caminha, referindo-se aos indígenas escreveu:

“E naquilo sempre mais me convenço que são como aves ou animais montesinhos, aos quais faz o ar melhor pena e melhor cabelo que aos mansos, porque os seus corpos são tão limpos, tão gordos e formosos, a não mais poder.” […]
“Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências. E, portanto, se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e eles a nossa, não duvido que eles, segundo a santa tenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade. E imprimir-se-á facilmente neles todo e qualquer cunho que lhes quiserem dar, uma vez que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a homens bons. E o fato de Ele nos haver até aqui trazido, creio que não o foi sem causa. E portanto, Vossa Alteza, que tanto deseja acrescentar à santa fé católica, deve cuidar da salvação deles. E aprazerá Deus que com pouco trabalho seja assim.” […]
“Eles não lavram nem criam. Não há aqui boi ou vaca, cabra, ovelha ou galinha, ou qualquer outro animal que esteja acostumado ao convívio com o homem. E não comem senão deste inhame, de que aqui há muito, e dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos.”

CASTRO, Silvio. A carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre: L&PM, 1996.

De acordo com o texto e seus conhecimentos, marque a alternativa correta:

(A) Caminha, numa visão eurocentrista, exalta a cultura do “descobridor”, menosprezando todos os aspectos referentes ao modo de vida dos nativos, por exemplo, a não exploração daqueles mamíferos placentários exóticos, citados na carta, introduzidos no Brasil quando da colonização.
(B) Caminha realiza, através de farta adjetivação, descrições botânicas minuciosas acerca da flora da nova terra, destacando o tipo de alimentação do europeu — rica em vitaminas e sais minerais — em contraposição à indígena, que é rica em lipídios.
(C) A religiosidade está presente ao longo do texto, quando se constata que o emissor, tendo em mente a conversão dos índios à “santa fé católica” — pretensão dos europeus conquistadores —, ressalta positivamente a existência de crenças animistas entre os nativos.
(D) Na carta de Pero Vaz de Caminha, que apresenta linguagem formal, por ser o rei português o destinatário, há forte preocupação com aspectos da necessária conversão dos índios ao catolicismo, no contexto de crise religiosa na Europa.
(E) Ao realizar concomitantemente a narração e a descrição dos hábitos dos nativos, o remetente destaca informações não só do habitat como dos usos e costumes indígenas, exaltando o cultivo das plantas de lavouras e dos pomares.


4. (UFLA) Leia o texto a seguir para responder à questão.

CARTA DE PERO VAZ

A terra é mui graciosa,
Tão fértil eu nunca vi.
A gente vai passear,
No chão espeta um caniço,
No dia seguinte nasce
Bengala de castão de oiro.
Tem goiabas, melancias.
Banana que nem chuchu.
Quanto aos bichos, tem-nos muitos.
De plumagens mui vistosas.
Tem macaco até demais.
Diamantes tem à vontade,
Esmeralda é para os trouxas.
Reforçai, Senhor, a arca.
Cruzados não faltarão,
Vossa perna encanareis,
Salvo o devido respeito.
Ficarei muito saudoso
Se for embora d'aqui.

(Murilo Mendes)

castão - remate superior de uma bengala;
cruzado - antiga moeda portuguesa;
vossa perna encanareis - a expressão quer dizer que o rei "estava mal das pernas", isto é, sem dinheiro, "quebrado". As riquezas do Brasil poderão tirá-lo dessa situação.

Há nesse texto uma sátira à expressão "dar-se-á nela tudo", contida na Carta de Caminha. Marque a alternativa que confirma essa tendência.

(A) "Tem goiabas, melancias
Banana que nem chuchu."


(B) ( ... )
"No chão espeta um caniço,
No dia seguinte nasce
Bengala de castão de oiro."


(C) "A terra é mui graciosa
Tão fértil eu nunca vi."


(D) "Quanto aos bichos, tem-nos muitos
De plumagens mui vistosas.
Tem macaco até demais."


(E) "Diamantes tem à vontade,
Esmeralda é para os trouxas.
Reforçai, Senhor, a arca.



5. (UFF) Assinale o fragmento que representa uma retomada modernista da carta de Pero Vaz de Caminha; 

(A) "O Novo Mundo nos músculos / Sente a seiva do porvir." (Castro Alves)
(B) "Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o sabiá"(Gonçalves Dias)
(C) "A terra é mui graciosa / Tão fértil eu nunca vi."(Murilo Mendes)
(D) "Irás a divertir-te na floresta, / sustentada,Marília, no meu braço"(Tomás Antônio Gonzaga)
(E) "Todos cantam sua terra / Também vou cantar aminha" (Casimiro de Abreu)

6. (UFLA) Leia o texto para responder à questão.

ESTA TERRA É MUITO FORMOSA

Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista1, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas2 brancas; e a terra por cima toda chã3 e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta, é tudo praia-palma4, muito chã e muito formosa.
Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.
Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre-Douro e Minho
5, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.
Porém o melhor fruto, que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.
E que não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calecute
6, isso bastaria. Quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento7, da nossa santa fé.
(In Jaime Cortesão, org. A Carta de Pero Vaz de Caminha, p.239)

1 houvemos vista: pudemos ver
2 delas... delas: umas... outras
3 chã: plana
4 praia-palma: segundo J. Cortesão, pode significar "toda praia, como a palma, muito chã e muito formosa"
5 Minho: nome de uma região de Portugal
6 Calecute: cidade da Índia para onde se dirigiam os portugueses
7 acrescentamento: difusão, expansão

Embora tenha caráter informativo e descritivo, a Carta possui características quase sempre fantasiosas. Indique a causa de o Novo Mundo ter sido posto à altura da lenda do paraíso perdido:

(A) O escrivão criou uma discussão histórica em torno da intencionalidade ou não da conquista de Cabral.
(B) No esforço de catalogar a vegetação, o clima, o autor passeia pela geografia, botânica, zoologia, de maneira vaga.
(C) Caminha se revela um mestre na fixação de pormenores; é inegável sua fluência literária.
(D) A produção informativa constitui a primeira visão da terra virgem, intocada pela civilização estranha. A terra, para ele, era fértil e abençoada por Deus.
(E) O autor limitou-se a escrever um registro impessoal, marcado pela intenção de informar, apesar do tom ufanista do texto.


7. (UFLA) Leia o texto para responder à questão.

ESTA TERRA É MUITO FORMOSA

Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista1, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas2 brancas; e a terra por cima toda chã3 e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta, é tudo praia-palma4, muito chã e muito formosa.
Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.
Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre-Douro e Minho
5, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.
Porém o melhor fruto, que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.
E que não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calecute
6, isso bastaria. Quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento7, da nossa santa fé.
(In Jaime Cortesão, org. A Carta de Pero Vaz de Caminha, p.239)

1 houvemos vista: pudemos ver
2 delas... delas: umas... outras
3 chã: plana
4 praia-palma: segundo J. Cortesão, pode significar "toda praia, como a palma, muito chã e muito formosa"
5 Minho: nome de uma região de Portugal
6 Calecute: cidade da Índia para onde se dirigiam os portugueses
7 acrescentamento: difusão, expansão

A Carta é considerada a "certidão de nascimento" do Brasil porque

(A) contém as primeiras informações oficiais sobre o Brasil.
(B) marca o início da literatura brasileira.
(C) foi escrita nos primórdios do descobrimento.
(D) denota inegável fluência literária de seu autor.
(E) as descrições constituem informações precisas do lugar.


8. (UFLA) O sentimento ufanista relacionado à fertilidade do solo brasileiro, presente na Carta de Caminha, difere do entusiasmo em relação aos resultados atuais da agricultura, porque um e outro baseiam-se em
Século XVI
Século XXI
(A)
engrandecimento
otimismo
(B)
imaginação
audácia
(C)
exaltação
convicção
(D)
idealização
precisão
(E)
romantismo
expectativa



Respostas:
1-c
2-e
3-d
4-b
5-c
6-d
7-a
8-d

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A CARTA DE ACHAMENTO DO BRASIL – PERO VAZ DE CAMINHA

Escrivão e navegador português. Autor da célebre carta que informa a descoberta do Brasil ao rei D. Manuel. Nasceu provavelmente na cidade do Porto, filho de Vasco Fernandes de Caminha, cavaleiro do duque de Bragança. Casa-se com dona Catarina e tem uma filha, Isabel.
Em 1476, substitui o pai como mestre de balança da Casa da Moeda portuguesa. Dedica-se ao comércio antes de ser designado escrivão da feitoria (entreposto comercial, geralmente instalado e fortificado pelos portugueses nas zonas costeiras) de Calicute, na Índia, para onde segue com a bem equipada frota de Pedro Álvares Cabral, responsável pelo descobrimento do Brasil em 22 de abril de 1500. A carta em que anuncia o feito ao rei D. Manuel, datada de 1º de maio de 1500, notabiliza-se como o mais importante documento relativo à descoberta do Brasil, pela riqueza de detalhes. Guardada nos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, ela foi ignorada por mais de três séculos. Foi divulgada pela primeira vez em 1817, no livro Carografia Brasileira, escrito pelo padre Aires de Casal. Ainda em 1500, Caminha continua a viagem para a Índia com Cabral e morre durante um assalto dos mouros (mulçumanos) à feitoria de Calicute.

A carta de Caminha faz um relato fiel dos dias passados na Terra de Vera Cruz (nome antigo do Brasil) em Porto Seguro, da primeira missa, dos índios que subiram a bordo das naus (antigas embarcações à vela), dos costumes destes e da aparência deles (com certa obsessão por suas “vergonhas”). Relata também o potencial da terra, tanto para a mineração (diz-se que não se achou ouro ou prata, mas que os nativos indicam sua existência), exploração biológica (a fauna e a flora) e humana, já que fala sempre em salvar os nativos convertendo-os ao cristianismo.

A linguagem da carta é simples, direta; o texto assemelha-se a um diário de viagem pela riqueza de detalhes. Descreve a terra descoberta e sua gente, além das atitudes dos futuros colonizadores.

Há uma clara intenção exploratória das terras brasileiras, sobretudo em relação às suas possíveis riquezas naturais, decorrente do pensamento mercantilista burguês da época. Além disso, identifica-se um desejo de cristianização do povo indígena, considerado desprovido de espiritualidade e fé.

Percebe-se o espanto do homem branco diante de “outro” ser que lhe causa estranheza. A nudez do índio é enfatizada como demonstração de sua pureza e ingenuidade. O deslumbramento diante da nova terra transmite-nos uma sensação de “visão do paraíso”, que é influenciada por uma mentalidade medieval, de valores essencialmente cristãos.

A primeira visão da nossa terra:
“Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã [plana], com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!”

Descrevendo os índios:
“A feição deles é serem pardos maneiras d’avermelhados de bons rostros e bons narizes bem feitos. Andam nus sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir nem mostrar suas vergonhas e estão acerca disso com tanta inocência como têm de mostra o rosto.”
“Viu um deles [índios] umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo para as contas e para o colar do capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo. Isso tomávamos nós por assim o desejarmos.”
“Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendessem e eles a nós, seriam logo cristãos, porque eles, segundo parece, não tem nem entendem nenhuma crença.”

Em relevo, a postura solene de Cabral:
“O capitão quando eles vieram estava assentado em uma cadeira e uma alcatifa aos pés por estrado e bem vertido com um colar d’ouro mui grande ao pescoço.”
Atenuando a impressão de selvageria que certas descrições poderiam dar:
“Eles porém contudo andam muito bem curados e muito limpos e naquilo me parece ainda mais que são como aves ou alimárias monteses que lhes faz o ar melhor pena e melhor cabelo que as mansas, porque os corpos seus são tão limpos e tão gordos e tão fremosos que não pode mais ser.”

A conclusão é edificante:
“De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito fremosa, (...) Nela até agora não pudemos saber que haja ouro nem prata... porém a terra em si é de bons ares assim frios e temperados como os de Entre-Doiro-e-Minho. Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem, porém o melhor fruto que dela se pode fazer me parece que será salvar essa gente e esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.”

A literatura informativa emprestou muitos de seus temas e formas para períodos literários posteriores, como o romantismo e o Modernismo.

A Carta de Pero Vaz de Caminha, apesar de caracterizar-se mais como um relato, uma crônica de viagem, possui muitas qualidades literárias, as quais influenciaram poetas modernistas como Oswald de Andrade na composição de Pau-Brasil e Mário de Andrade, ao realizar sua glosa (composição poética), em Macunaíma, na “Carta pras Icamiabas”.

Oswald de Andrade realizou a chamada “apropriação parodística”, pois subverteu o sentido original do texto ao recortar as frases da carta e dispô-las de outra maneira. Através desse jogo intertextual, Oswald dialogou com o passado, compondo um texto de nova significação.

Um bom exemplo é o poema a seguir, da obra Pau-Brasil:
“Seguimos outro caminho por esse mar de longo
Até a oitava de Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra”

LITERATURA BRASILEIRA: BRASIL-COLÔNIA

Apesar da descoberta do Brasil ter ocorrido em 1500, Portugal só mostrou interesse pela nova terra algum tempo depois (1530), quando começou a enviar expedições para a nova colônia com o objetivo de colher informações sobre a sua fauna, flora e nativos. Todas essas informações foram registradas em textos, que ficaram conhecidos ao longo da história como literatura dos viajantes ou literatura de informação. Apesar de não ter um grande valor literário, esses textos são de importância inestimável, pois retratam a primeira fase do Brasil-colônia.
Nessa época, o fato de predominar, nos meios literários portugueses o Classicismo, também conhecido como Quinhentismo, fez com que toda literatura informativa sobre o Brasil ficasse também conhecida como Quinhentismo Brasileiro.
Contudo, seu caráter puramente informativo, não permite que se fale em literatura do Brasil, mas sim, em uma literatura informativa feita pelos portugueses sobre o Brasil.
A história da Literatura Brasileira teve início em 1500, com a Carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, enviada ao el-rei D. Manuel I, comunicando a descoberta das terras brasileiras.

QUINHENTISMO BRASILEIRO
O homem europeu do século XVI, especificamente o português, tinha duas preocupações distintas: uma material, resultante da política das grandes navegações e que visava o lucro decorrente da exploração das terras recém-descobertas; e outra espiritual, resultante do movimento da contra-reforma, ou seja, da tentativa da igreja Católica reconquistar os indivíduos que se converteram ao protestantismo.
Essas duas preocupações básicas fizeram com que a literatura feita no Brasil naquele período se manifestasse de duas formas: a primeira de caráter puramente informativo, conhecida como literatura de informação, levava a Portugal as novidades sobre as riquezas do Brasil; já a segunda, de aspecto doutrinário, também conhecida como literatura dos jesuítas, voltada para a catequese do povo indígena.

LITERATURA DE INFORMAÇÃO
Os primeiros textos em terras brasileiras de que se tem notícia são informações de viajantes e missionários europeus, descrevendo a natureza e os primeiros habitantes de nossa terra: os índios. Esses escritos não podem ser classificados como textos literários, pois são crônicas históricas, refletindo a visão de mundo e a linguagem dos colonizadores. Apesar disso, os denominaremos de literatura de informação ou literatura dos cronistas e viajantes.
A primeira e mais importante dessas obras foi a Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei D. Manuel I. Nela, Caminha mostra claramente as duas maiores preocupações dos portugueses naquela época: bens materiais e aumento do número de fiéis ao catolicismo. Essa Carta, considerada a “certidão de nascimento do Brasil”, revela a primeira impressão que o homem europeu teve de um mundo novo, habitado por pessoas diferentes e com costumes estranhos.
Dentre os textos de origem portuguesa escritos nesta época destacam-se também: o Diário de Navegação (1530) de Pero Lopes e Sousa, escrivão de Martim Afonso de Sousa; o Tratado da Terra do Brasil e a História da Província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil (1576) de Pero Magalhães Gândavo; o Tratado Descritivo do Brasil (1587) de Gabriel Soares de Souza; os Diálogos das Grandezas do Brasil (1618) de Ambrósio Fernandes Brandão, dentre outros.

LITERATURA JESUÍTICA
Paralelamente à literatura de informação, acontecia no Brasil a literatura jesuítica. Os jesuítas chegaram nesta terra junto com os primeiros colonizadores, com a missão de catequizar os indígenas. Esteticamente a literatura jesuítica foi a melhor produção literária feita sobre o Brasil na primeira fase do Brasil-colônia. Nesse período de catequização dos índios, os jesuítas cultivaram:
• A poesia didática – que tinha o objetivo de dar exemplos moralizantes aos indígenas.
• A poesia sem finalidade catequizadora – relacionada à necessidade individual de expressão.
• O teatro pedagógico – baseado em textos extraídos da Bíblia; e as cartas de informação – relatavam, aos líderes da Igreja Católica Portuguesa, como iam os trabalhos de catequese no Brasil.
Os representantes mais importantes da Literatura Jesuítica foram os padres José de Anchieta, Manuel da Nóbrega e Fernão Cardim.