Sugestão de hoje!!!

Sugestão de hoje!!!
Livro que trata do menor abandonado e de sua luta pela sobrevivência.

domingo, 25 de setembro de 2011

Questões sobre o Barroco


01. (UNIV. CAXIAS DO SUL) Escolha a alternativa que completa de forma correta a frase abaixo:
A linguagem ______, o paradoxo, ________ e o registro das impressões sensoriais são recursos lingüísticos presentes na poesia ________. 
a) simples; a antítese; parnasiana.
b) rebuscada; a antítese; barroca.
c) objetiva; a metáfora; simbolista.
d) subjetiva; o verso livre; romântica.
e) detalhada; o subjetivismo; simbolista.
 

02. (MACKENZIE-SP) Assinale a alternativa incorreta: 
a) Na obra de José de Anchieta, encontram-se poesias que seguem a
 tradição medieval e textos para teatro com clara intenção catequista.
b) A literatura informativa do Quinhentismo
 brasileiro
 empenha-se em fazer um levantamento da terra, daí ser predominantemente descritiva.
c) A literatura seiscentista reflete um dualismo:o ser humano dividido entre a matéria e o espírito, o pecado e o perdão.
d) O Barroco apresenta estados de alma expressos através de antíteses, paradoxos, interrogações.
e) O conceptismo caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta, extravagante, enquanto o cultismo é marcado pelo jogo de idéias, seguindo um raciocínio lógico, racionalista.
 

03. Com referência ao Barroco, todas as alternativas são corretas, exceto: 
a) O Barroco estabelece contradições entre espírito e carne, alma e corpo, morte e vida.
b) O homem centra suas preocupações em seu próprio ser, tendo em mira seu aprimoramento, com base na cultura greco-latina.
c) O Barroco apresenta, como característica marcante, o espírito de tensão, conflito entre tendências opostas: de um lado, o teocentrismo medieval e, de outro, o antropocentrismo renascentista.
d) A arte barroca é vinculada à Contra-Reforma.
e) O barroco caracteriza-se pela sintaxe obscura, uso de hipérbole e de metáforas.
 

04. (VUNESP) 
      Ardor em firme coração nascido;
      pranto por belos olhos derramado;
      incêndio em mares de água disfarçado;
      rio de neve em fogo convertido:
      tu, que em um peito abrasas escondido;
      tu, que em um rosto corres desatado;
      quando fogo, em cristais aprisionado;
      quando crista, em chamas derretido.
      Se és fogo, como passas brandamente,
      se és fogo, como queimas com porfia?
      Mas ai, que andou Amor em ti prudente!
      Pois para temperar a tirania,
      como quis que aqui fosse a neve ardente,
      permitiu parecesse a chama fria.
 

O texto pertencente a Gregório de Matos e apresenta todas seguintes características:
 
a) Trocadilhos, predomínio de metonímias e de símiles, a dualidade temática da sensualidade e do refreamento, antíteses claras dispostas em ordem direta.
b) Sintaxe segundo a ordem lógica do Classicismo, a qual o autor buscava imitar, predomínio das metáforas e das antíteses, temática da fugacidade do tempo e da vida.
c) Dualidade temática da sensualidade e do refreamento, construção sintática por simétrica por simetrias sucessivas, predomínio figurativo das metáforas e pares antitéticos que tendem para o paradoxo.
d) Temática naturalista, assimetria total de construção, ordem direta predominando sobre a ordem inversa, imagens que prenunciam o Romantismo.
e) Verificação clássica, temática neoclássica, sintaxe preciosista evidente no uso das síntese, dos anacolutos e das alegorias, construção assimétrica.
 

05. A respeito de Gregório de Matos, assinale a alternativa, incorreta: 
a) Alguns de seus sonetos sacros e líricos transpõem, com brilho, esquemas de Gôngora e de Quevedo.
b) Alma maligna, caráter rancoroso,relaxado por temperamento e costumes, verte fel em todas as suas sátiras.
c) Na poesia sacra, o homem não busca o perdão de Deus; não existe o sentimento de culpa, ignorando-se a busca do perdão divino.
d) As suas farpas dirigiam-se de preferência contra os fidalgos caramurus.
e) A melhor produção literária do autor é constituída de poesias líricas, em que desenvolve temas constantes da estática barroca, como a transitoriedade da vida e das coisas.
 

Texto para as questões 06 a 08 
À INSTABILIDADE DAS COUSAS DO MUNDO
 

        Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
        Depois da Luz se segue a noite escura,
        Em tristes sombras morre a formosura,
        Em continuas tristezas a alegrias,

        Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
        Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
        Como a beleza assim se transfigura?
        Como o gosto, da pena assim se fia?

        Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
        Na formosura não se dê constância,
        E na alegria, sinta-se triste.
        Começa o Mundo enfim pela ignorância
        A firmeza somente na inconstância.

06. No texto predominaram as imagens: 
a) olfativas;
b) gustativas;
c) auditivas;
d) táteis;
e) visuais.

07. A idéia central do texto é: 
a) a duração efêmera de todas as realidades do mundo;
b) a grandeza de Deus e a pequenez humana;
c) os contrastes da vida;
d) a falsidade das aparências;
e) a duração prolongada do sofrimento.

08. Qual é o elemento barroco mais característico da 1ª estrofe? 
a) disposição antitética da frase;
b) cultismo;
c) estrutura bimembre;
d) concepção teocênctrica;
e) estrutura correlativa, disseminativa e recoletiva.
 

09. (SANTA CASA) A preocupação com a brevidade da vida induz o poeta barroco a assumir uma atitude que: 
a) descrê da misericórdia divina e contesta os valores da religião;
b) desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a mocidade e a beleza;
c) se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia dos céticos;
d) se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus;
e) quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mocidade dura.

10. (UEL) Identifique a afirmação que se refere a Gregório de Matos: 
a) No seu esforço da criação a comédia brasileira, realiza um
 trabalho
 de crítica que encontra seguidores no Romantismo e mesmo no restante do século XIX.
b) Sua obra é uma síntese singular entre o passado e o presente: ainda tem os torneios verbais do Quinhentismo português, mas combina-os com a paixão das imagens pré-românticas.
c) Dos poetas arcádicos eminentes, foi sem dúvida o mais liberal, o que mais claramente manifestou as idéias da ilustração francesa.
d) Teve grande capacidade em fixar num lampejo os vícios, os ridículos, os desmandos do poder local, valendo-se para isso do engenho artificioso que caracteriza o estilo da época.

Resolução:
01 - B
02 - E
03 - B
04 - C
05 - D
06 - E
07 - A
08 - A
09 - E
10 - D

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

1ª GERAÇÃO ROMÂNTICA: ANTÔNIO GONÇALVES DIAS (1823 - 1864)

Nascido no Maranhão a 10 de agosto de 1823, Gonçalves Dias orgulhava-se de trazer em suas veias o sangue das três raças que formaram a etnia brasileira: era filho de um comerciante português branco e de uma cafuza (mestiça de negro e índio). Adolescente, seguiu para Portugal, onde concluiu os estudos secundários e formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Em seu exílio voluntário teve oportunidade de ler os clássicos europeus, principalmente os portugueses.

Voltou ao Brasil em 1845, onde rapidamente distinguiu-se entre as personalidades de seu tempo, chegando a obter proteção de D. Pedro II. Aos 23 anos apaixonou-se por uma menina de 14 anos, Ana Amélia Ferreira do Vale. Apesar de ser correspondido por ela, teve sua mão recusada pelo pai da moça, que não via com bons olhos a união dos dois (racismo). Gonçalves Dias acabou casando-se com aos 29 anos com D. Olímpia Coriolana da Costa, moça pertencente a uma boa família do Rio de Janeiro. Seus melhores versos amorosos foram, entretanto, inspirados pela menina Ana Amélia alguns deles absolutamente antológicos.
Além de escritor, foi professor de Latim e de História do Brasil no Colégio Pedro II, viajou com patrocínio para fazer vários estudos, entre eles uma viagem à Amazônia, onde pesquisou Linguística e Etnografia (estudo e descrição das manifestações dos povos – língua, costume, religião etc.). Esteve em Portugal em diversas ocasiões, totalizando catorze anos de estadia naquele país. Na volta de uma viagem que fizera a Portugal para cuidar de sua saúde já fragilizada pela tuberculose, o navio em que estava, o Ville de Bougne naufragou. Era o dia 3 de novembro de 1864, cerca de três meses depois que o poeta completara 41 anos.

O PRIMEIRO GRANDE POETA TIPICAMENTE BRASILEIRO

Gonçalves Dias foi poeta versátil; destacou-se na poesia lírico-amorosa, assim como na indianista e nacionalista. O decassílabo e o redondilho maior foram os versos que mais usou; quanto à estrofação, empregou preferencialmente quadras, sextilhas (estrofes de seis versos e sete sílabas) e oitavas. Foi um panteísta, associando frequentemente Deus à natureza. Cultivou também o teatro, escrevendo os dramas históricos Beatriz Cenci, Paktull e D. Leonor de Mendonça.

Alguns críticos afirmam que a obra de estreia de Gonçalves Dias, Primeiros Cantos, teria sido a que realmente impulsionou o Romantismo em nosso país e não Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães. Seu poema de abertura, Canção do Exílio, de caráter nacionalista, escrito quando encontrava-se em Portugal, tornou-se uma das obras mais populares de nossa literatura.

A exaltação da pátria, da natureza, da nobreza do nativo foram temas constantes na obra do poeta, que soube trabalhá-los sem jamais cair em lugares comuns ou na pieguice.

O aspecto amoroso é constante em sua obra. A poesia sentimental se desenvolve sob o prisma do sofrimento. O amor em Gonçalves Dias jamais se concretiza na esfera do real, é sempre ilusão perdida, impossibilidade vital de relacionamento. Entre a esperança e a vivência, entre a intenção e o gesto estão os abismos da experiência concreta. E a experiência concreta é o fracasso. “Cismar venturas é só topar friezas”, eis a delimitação desse posicionamento. Apaixonar-se é se predispor para a angústia e para a solidão. O poeta confessa a sua afetividade, suplica a paixão da mulher, e não encontra resposta. Resta-lhe o desespero. Em poemas como Se se morre de amor, Gonçalves Dias consegue dar dignidade a esse sofrimento, o que faz dessa obra o poema mais inspirado de seu lirismo amoroso.

Enquanto poeta da natureza, ele canta o amor, as florestas, a imensa luz do sol brasileiro. Seus poemas sobre elementos naturais, ele próprio os denominou de poesias americanas. Reparemos ainda que os espetáculos da natureza conduzem seu pensamento a Deus, o que implica uma celebração panteísta.

A poesia sobre a natureza entrelaça-se com a poesia saudosista. O poeta maranhense é um homem nostálgico que lembra a infância, os amores idos e vividos e, antes de mais nada, um homem que na Europa sente-se exilado, e é arrastado pela memória até sua terra natal (Canção do exílio ).

Vários foram os poemas indianistas legados pelo autor: Tabira, Marabá, O Canto do Piaga, Canto do Guerreiro, etc. Nenhum deles, porém, se ombreia à obra-prima: Juca-Pirama, cujo título é uma frase em Tupi que significa “aquele que deve morrer”, “aquele que é digno de morrer”. A superioridade do autor maranhense sobre outros criadores indianistas reside no seu maior conhecimento da vida aborígene e no uso poético de um índio ainda não aculturado pelo homem branco.

Além desses poemas indianistas, Gonçalves Dias deixou incompleta uma epopeia Os Timbiras. Era um projeto ambicioso, os índios substituindo os heróis gregos numa Ilíada brasileira, tropicalista, cheia de onças, cascavéis, coatis e abundantes descrições da flora, e cujo pano de fundo era a formação e dispersão do povo timbira. Mas, infelizmente, o fim dessa obra naufragou com o autor.

JUCA-PIRAMA

Juca-Pirama é um poemeto (poema curto) épico escrito em dez cantos curtos, que narram a história de um jovem guerreiro descendente da tribo Tupi. Sua tribo havia sido dizimada pelos brancos e só restavam ele e o pai. Eis que o rapaz cai prisioneiro dos Aimorés, tribo antropófaga. Eles acreditam que, comendo a carne do inimigo, estariam subtraindo a força dos opositores e somando-a a própria.

No momento em que o jovem, já devidamente pintado e paramentado para o ritual de morte, vai ser executado, seus algozes incitam-lhe a falar algo: “Dize-nos tu quem és, teus feitos canta./Ou, se te apraz, defende-te.” A resposta do prisioneiro é o canto IV da obra.


Ao ouvir o discurso do prisioneiro, o chefe aimoré, da tribo Timbira, ordena que soltem o rapaz, alegando que “não queremos/ com carne vil enfraquecer os fortes”. Em vão, o guerreiro tenta dizer que retornará, apenas morra seu velho pai. Tenta ainda desafiar os inimigos a lutarem.

Libertado, vai ter com seu pai. O velho índio, apesar de cego, intui que algo aconteceu. Ao tocar a cabeça do filho, sente que ela está despida do “natural ornato”, e percebe, com horror, que ele havia sido escalpelado, o que significava que ele havia caído prisioneiro. Força o rapaz a falar o que houve, e o jovem lhe diz que fora libertado quando os timbiras souberam da sua existência. Obriga, então, o filho a retornar com ele à tribo inimiga, e, lá pede que o ritual de morte se cumpra. Mas o cacique timbira nega-se a atendê-lo dizendo-lhe que o filho chorou, que era “imbele (covarde) e fraco”, concluiu: “Nós outros, fortes Timbiras,/ Só de heróis fazemos pasto”. Aviltado pelas informações, o velho tupi lança no filho uma maldição, o canto VIII.


Ao ouvir a imprecação paterna, o jovem tupi indigna-se e se atira sobre os inimigos numa luta feroz e solitária, em que pôde, afinal mostrar sua bravura. A peleja só é interrompida quando o chefe dos timbiras brada: “Basta, guerreiro ilustre assaz lutaste”. O jovem, então, cai nos braços do pai, que chora: “Este, sim que é meu filho muito amado! / e pois que o acho enfim, qual sempre o tive/ Corram livres as lágrimas que choro,/ Estas lágrimas sim, que não desonram”.

A técnica poética de Gonçalves Dias contribui para a magia do poema: logo após este acontecimento, ficamos sabendo que tudo aquilo era passado porque no presente havia apenas a recordação do fato por um velho timbira:

Assim o Timbira, coberto de glória,
Guardava a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi.
E à noite nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Tornava prudente: “Meninos, eu vi!”

LITERATURA BRASILEIRA: ROMANTISMO

CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA

O movimento artístico-literário conhecido como Romantismo surgiu na Alemanha e na Inglaterra, em fins do século XVIII e início do século XIX, respectivamente as obras de importantes escritores como Goethe (Werther), Schiller (Os salteadores, Guilherme Tell), Lord Byron (poesia ultra-romântica) e Walter Scott (Ivanhoé), e teve seu período áureo, mais fecundo, na primeira metade do século XIX (em Portugal, didaticamente, até 1865; no Brasil, até 1881).

Historicamente, o Romantismo está ligado a dois significativos acontecimentos: Revolução Francesa e Revolução Industrial.

Costuma-se dizer que o Romantismo é “a arte da burguesia, pela burguesia, para a burguesia”, o que é verdadeiro, até certo ponto. Num primeiro momento, a luta burguesa em defesa dos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, culminando com a Revolução de 1789 e a derrubada da aristocracia (classe dos nobres) e do absolutismo monárquico (poder se concentra nas mãos do monarca), em favor do liberalismo, contou com a simpatia e adesão dos artistas e escritores da época, que também fariam sua a bandeira da Liberdade. Lutando contra uma estrutura social, política e econômica de exploração, de exclusão do povo e de privilégios para a nobreza, o burguês passa a defender a liberdade individual em todos os setores da vida humana e social, o que, economicamente falando, representa o estímulo à livre iniciativa e à livre concorrência. É a crença na capacidade individual do homem.

A Revolução Industrial, a seu turno, com base na divisão do trabalho e na especialização da mão-de-obra, com vistas ao aumento da produção, abre caminho para o enriquecimento e fortalecimento dessa mesma burguesia, agora classe dominante, “a burguesia capitalista industrial”. Essa nova classe, marcada por uma nova ideologia política, econômica, social, caracterizada por diferentes valores e anseios, e que passa a ter acesso à educação formal e à cultura, é que vai levar ao florescimento da arte Romântica, impregnada daquela nova ideologia. É nesse sentido que se fala em “arte da burguesia, pela burguesia, para a burguesia”.

Mais tarde, percebendo que a antiga estrutura social apenas se convertera na oposição (e conflito) entre a burguesia e o proletariado (classe operária), o artista Romântico, descrente, “desencantado”, passa a opor-se também a ideologia burguesa, fundamentada no lucro, no capital, no poder do dinheiro.

***

O Brasil do início do século XIX também assistirá a alguns acontecimentos de relevo em nossa história: a vinda da família real portuguesa para cá e sua permanência no Rio de Janeiro, de 1808 a 1821, representou um período de grande progresso para o país e preparou terreno para a nossa Independência política, em 1822. Tem início o período monárquico.

Nesse, sentido, o Romantismo (cujo marco inicial, entre nós, é o ano de 1836, com a publicação de Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães) vai se manifestar e se desenvolver dentro de uma profunda mentalidade de emancipação e fortalecimentodos ideais nacionalistas.

CARACTERÍSTICAS ROMÂNTICAS

A arte e literatura Românticas, portanto, vão encontrar tanto no contexto histórico europeu (Revolução francesa) quanto brasileiro (Independência política) condições para lutar pela emancipação, pela libertação em relação aos padrões da arte clássica, que vigorou no século XVIII. LIBERDADE DE EXPRESSÃO, essa é a bandeira mais elevada que norteará o artista Romântico em seus novos caminhos.
Assim, em princípio, pode-se considerar que tudo aquilo que é lei, regra, norma, convenção clássica será motivo de negação, rejeição, desprezo por parte dos Românticos; em lugar do racionalismo, da objetividade e da universalidade temática dos clássicos, entram agora em cena o sentimentalismo, a subjetividade e o individualismo, ou seja, a visão pessoal, individual do artista frente ao mundo e à exploração intensa, profunda, exaustiva de seu mundo interior, de seu “eu”, antes de tudo; em lugar da razão e do cientificismo, volta-se a valorizar a emoção, a religiosidade, o misticismo, o mistério, a imaginação e a fantasia (estas últimas consideradas como o escapismo Romântico); a figura da mulher, tal como no período anterior, passa a ser ainda mais exaltada, idealizada, divinizada, envolvida por uma aura de beleza, pureza, encantamento, sedução e mistério.
Na Europa, artistas Românticos passam a valorizar temas relacionados à Idade Média, ou seja, o seu passado histórico, em que se situam suas raízes culturais e nacionais; assim, a figura do cavaleiro medieval, com seus atos de bravura e heroísmo em defesa de sua amada, reestimulam a imaginação Romântica. São explorados, ainda, temas folclóricos e de caráter popular.

É importantíssimo considerar que o romance (entendido aqui como uma espécie literária narrativa), tal como o conhecemos hoje, surgiu com o Romantismo, com uma pequena diferença: os escritores levados em conta a existência de um novo público consumidor, passam a publicar suas obras em folhetins (fragmentos de um romance publicados em um jornal dia a dia). O teatro também sofre grande impulso nesse período.

No Brasil, o anseio de emancipação plena e de nacionalismo leva à exaltação e idealização do índio, um dos formadores de nossa base etnocultural (é o chamado indianismo) e também à exaltação de nossa natureza e nossas paisagens regionais (o regionalismo).

Entretanto, nem tudo são flores dentro do universo Romântico. A decepção dos artistas com a estrutura social injusta reinstaurada pela burguesia e a descrença no ser humano e na sociedade conduzem-nos a uma postura de constante pessimismo, desilusão, tristeza, mágoa, sofrimento, o que ficou conhecido como “mal-do-século” e também contribuiu para o já mencionado escapismo ou fuga através da fantasia, do sonho e até do anseio de morte. O saudosismo em relação a um passado feliz é outra marca tipicamente Romântica.

A CARTA DE ACHAMENTO DO BRASIL – PERO VAZ DE CAMINHA

Escrivão e navegador português. Autor da célebre carta que informa a descoberta do Brasil ao rei D. Manuel. Nasceu provavelmente na cidade do Porto, filho de Vasco Fernandes de Caminha, cavaleiro do duque de Bragança. Casa-se com dona Catarina e tem uma filha, Isabel.
Em 1476, substitui o pai como mestre de balança da Casa da Moeda portuguesa. Dedica-se ao comércio antes de ser designado escrivão da feitoria (entreposto comercial, geralmente instalado e fortificado pelos portugueses nas zonas costeiras) de Calicute, na Índia, para onde segue com a bem equipada frota de Pedro Álvares Cabral, responsável pelo descobrimento do Brasil em 22 de abril de 1500. A carta em que anuncia o feito ao rei D. Manuel, datada de 1º de maio de 1500, notabiliza-se como o mais importante documento relativo à descoberta do Brasil, pela riqueza de detalhes. Guardada nos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, ela foi ignorada por mais de três séculos. Foi divulgada pela primeira vez em 1817, no livro Carografia Brasileira, escrito pelo padre Aires de Casal. Ainda em 1500, Caminha continua a viagem para a Índia com Cabral e morre durante um assalto dos mouros (mulçumanos) à feitoria de Calicute.

A carta de Caminha faz um relato fiel dos dias passados na Terra de Vera Cruz (nome antigo do Brasil) em Porto Seguro, da primeira missa, dos índios que subiram a bordo das naus (antigas embarcações à vela), dos costumes destes e da aparência deles (com certa obsessão por suas “vergonhas”). Relata também o potencial da terra, tanto para a mineração (diz-se que não se achou ouro ou prata, mas que os nativos indicam sua existência), exploração biológica (a fauna e a flora) e humana, já que fala sempre em salvar os nativos convertendo-os ao cristianismo.

A linguagem da carta é simples, direta; o texto assemelha-se a um diário de viagem pela riqueza de detalhes. Descreve a terra descoberta e sua gente, além das atitudes dos futuros colonizadores.

Há uma clara intenção exploratória das terras brasileiras, sobretudo em relação às suas possíveis riquezas naturais, decorrente do pensamento mercantilista burguês da época. Além disso, identifica-se um desejo de cristianização do povo indígena, considerado desprovido de espiritualidade e fé.

Percebe-se o espanto do homem branco diante de “outro” ser que lhe causa estranheza. A nudez do índio é enfatizada como demonstração de sua pureza e ingenuidade. O deslumbramento diante da nova terra transmite-nos uma sensação de “visão do paraíso”, que é influenciada por uma mentalidade medieval, de valores essencialmente cristãos.

A primeira visão da nossa terra:
“Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã [plana], com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!”

Descrevendo os índios:
“A feição deles é serem pardos maneiras d’avermelhados de bons rostros e bons narizes bem feitos. Andam nus sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir nem mostrar suas vergonhas e estão acerca disso com tanta inocência como têm de mostra o rosto.”
“Viu um deles [índios] umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo para as contas e para o colar do capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo. Isso tomávamos nós por assim o desejarmos.”
“Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendessem e eles a nós, seriam logo cristãos, porque eles, segundo parece, não tem nem entendem nenhuma crença.”

Em relevo, a postura solene de Cabral:
“O capitão quando eles vieram estava assentado em uma cadeira e uma alcatifa aos pés por estrado e bem vertido com um colar d’ouro mui grande ao pescoço.”
Atenuando a impressão de selvageria que certas descrições poderiam dar:
“Eles porém contudo andam muito bem curados e muito limpos e naquilo me parece ainda mais que são como aves ou alimárias monteses que lhes faz o ar melhor pena e melhor cabelo que as mansas, porque os corpos seus são tão limpos e tão gordos e tão fremosos que não pode mais ser.”

A conclusão é edificante:
“De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito fremosa, (...) Nela até agora não pudemos saber que haja ouro nem prata... porém a terra em si é de bons ares assim frios e temperados como os de Entre-Doiro-e-Minho. Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem, porém o melhor fruto que dela se pode fazer me parece que será salvar essa gente e esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.”

A literatura informativa emprestou muitos de seus temas e formas para períodos literários posteriores, como o romantismo e o Modernismo.

A Carta de Pero Vaz de Caminha, apesar de caracterizar-se mais como um relato, uma crônica de viagem, possui muitas qualidades literárias, as quais influenciaram poetas modernistas como Oswald de Andrade na composição de Pau-Brasil e Mário de Andrade, ao realizar sua glosa (composição poética), em Macunaíma, na “Carta pras Icamiabas”.

Oswald de Andrade realizou a chamada “apropriação parodística”, pois subverteu o sentido original do texto ao recortar as frases da carta e dispô-las de outra maneira. Através desse jogo intertextual, Oswald dialogou com o passado, compondo um texto de nova significação.

Um bom exemplo é o poema a seguir, da obra Pau-Brasil:
“Seguimos outro caminho por esse mar de longo
Até a oitava de Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra”

LITERATURA BRASILEIRA: BRASIL-COLÔNIA

Apesar da descoberta do Brasil ter ocorrido em 1500, Portugal só mostrou interesse pela nova terra algum tempo depois (1530), quando começou a enviar expedições para a nova colônia com o objetivo de colher informações sobre a sua fauna, flora e nativos. Todas essas informações foram registradas em textos, que ficaram conhecidos ao longo da história como literatura dos viajantes ou literatura de informação. Apesar de não ter um grande valor literário, esses textos são de importância inestimável, pois retratam a primeira fase do Brasil-colônia.
Nessa época, o fato de predominar, nos meios literários portugueses o Classicismo, também conhecido como Quinhentismo, fez com que toda literatura informativa sobre o Brasil ficasse também conhecida como Quinhentismo Brasileiro.
Contudo, seu caráter puramente informativo, não permite que se fale em literatura do Brasil, mas sim, em uma literatura informativa feita pelos portugueses sobre o Brasil.
A história da Literatura Brasileira teve início em 1500, com a Carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, enviada ao el-rei D. Manuel I, comunicando a descoberta das terras brasileiras.

QUINHENTISMO BRASILEIRO
O homem europeu do século XVI, especificamente o português, tinha duas preocupações distintas: uma material, resultante da política das grandes navegações e que visava o lucro decorrente da exploração das terras recém-descobertas; e outra espiritual, resultante do movimento da contra-reforma, ou seja, da tentativa da igreja Católica reconquistar os indivíduos que se converteram ao protestantismo.
Essas duas preocupações básicas fizeram com que a literatura feita no Brasil naquele período se manifestasse de duas formas: a primeira de caráter puramente informativo, conhecida como literatura de informação, levava a Portugal as novidades sobre as riquezas do Brasil; já a segunda, de aspecto doutrinário, também conhecida como literatura dos jesuítas, voltada para a catequese do povo indígena.

LITERATURA DE INFORMAÇÃO
Os primeiros textos em terras brasileiras de que se tem notícia são informações de viajantes e missionários europeus, descrevendo a natureza e os primeiros habitantes de nossa terra: os índios. Esses escritos não podem ser classificados como textos literários, pois são crônicas históricas, refletindo a visão de mundo e a linguagem dos colonizadores. Apesar disso, os denominaremos de literatura de informação ou literatura dos cronistas e viajantes.
A primeira e mais importante dessas obras foi a Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei D. Manuel I. Nela, Caminha mostra claramente as duas maiores preocupações dos portugueses naquela época: bens materiais e aumento do número de fiéis ao catolicismo. Essa Carta, considerada a “certidão de nascimento do Brasil”, revela a primeira impressão que o homem europeu teve de um mundo novo, habitado por pessoas diferentes e com costumes estranhos.
Dentre os textos de origem portuguesa escritos nesta época destacam-se também: o Diário de Navegação (1530) de Pero Lopes e Sousa, escrivão de Martim Afonso de Sousa; o Tratado da Terra do Brasil e a História da Província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil (1576) de Pero Magalhães Gândavo; o Tratado Descritivo do Brasil (1587) de Gabriel Soares de Souza; os Diálogos das Grandezas do Brasil (1618) de Ambrósio Fernandes Brandão, dentre outros.

LITERATURA JESUÍTICA
Paralelamente à literatura de informação, acontecia no Brasil a literatura jesuítica. Os jesuítas chegaram nesta terra junto com os primeiros colonizadores, com a missão de catequizar os indígenas. Esteticamente a literatura jesuítica foi a melhor produção literária feita sobre o Brasil na primeira fase do Brasil-colônia. Nesse período de catequização dos índios, os jesuítas cultivaram:
• A poesia didática – que tinha o objetivo de dar exemplos moralizantes aos indígenas.
• A poesia sem finalidade catequizadora – relacionada à necessidade individual de expressão.
• O teatro pedagógico – baseado em textos extraídos da Bíblia; e as cartas de informação – relatavam, aos líderes da Igreja Católica Portuguesa, como iam os trabalhos de catequese no Brasil.
Os representantes mais importantes da Literatura Jesuítica foram os padres José de Anchieta, Manuel da Nóbrega e Fernão Cardim.